Cidades para consumir ou cidades para sentir? O papel do artista no resgate da identidade urbana

Um ensaio sobre a esterilização da metrópole e o papel do artista na recuperação da identidade urbana

 

Com a justificativa de modernizar, vemos cada vez mais metrópoles com aspecto sem alma, sem identidade.

Tal transformação tem removido a beleza dos espaços públicos que poderiam ser melhor apreciados através da arte. Neste cenário, o transeunte caminha com pressa, sem nada para contemplar, sem um momento sequer de apreciação. Não há nada além de muito cinza, betão e onde poderia haver um espaço para a arte, temos outdoors com a próxima promoção para a cultura do consumo rápido.

A paisagem urbana tornou-se algo previsível a nível global, daí temos tamanha urgência pelo trabalho do artista visual. Ele possui o olhar crítico que traz à tona o que nossas mentes cansadas já não conseguem projetar. Do fotógrafo ao pintor, a incumbência de restaurar a atmosfera vibrante e sensível causando um impacto de sobrevivencialismo civilizacional da cultura.

Não se trata apenas de produzir arte, é sobre registrar o que o sistema tenta apagar. As cidades não são ativos imobiliários prestes a serem consumidas por quem possui mais capital. É sobre história e a preservação da sua identidade, sobre o que difere a cidade A da cidade B. É sobre olhar um quadro e identificar exatamente de que local estamos a falar, sem nenhuma dúvida. Como um olhar viajado reconhecer onde se encontra a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade ou o Taj Mahal. É sobre, através de uma pintura, reconhecer o pintor e o subconsciente remeter ao país onde a pintura foi realizada.

Se em algum momento da leitura você conseguir criar uma imagem mental de um local assim, você experimentou o que é uma cidade para sentir e esse é o verdadeiro triunfo do artista. É nos fazer enxergar um mundo que o cotidiano nos tem retirado.

Através do silêncio da sua obra, ele devolve à cidade aquilo de que ela foi despojada: a alma, a textura e o direito inalienável ao sentido.

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